Os Crimes de Maio, PCC aterroriza SP, por André Porto.

Há dez anos, São Paulo parou. Pânico na Zona Sul. Pânico em SP. Caos mental geral. Na noite de 12 de maio de 2006, sexta-feira, a maior organização criminosa da história do Brasil, o PCC, pôs em prática um ataque simultâneo a dezenas de alvos pela cidade e motins por cadeias em todo o estado. 59 agentes policiais foram mortos. A retaliação veio com força total, de farda ou capuz, e, nos dias seguintes, centenas de civis morreram por arma de fogo. Este bangue-bangue urbano moderno virou São Paulo do avesso, e, guardadas as devidas proporções, deixou uma marca profunda na psiquê coletiva da cidade, à lá 11 de setembro. Aproveitamos a ocasião de uma década dos Crimes de Maio para relembrar, com uma série de matérias em todos os nossos sites, a fatídica semana, um trauma social que até hoje tem imensa influência na sociedade paulista, das favelas ao Jardins, passando pelo Palácio dos Bandeirantes.

A primeira pauta de Porto foi colar em uma boate na zona sul onde havia acontecido o assassinato de um policial. O tempo de deslocamento até lá custou as imagens. Os cordões de isolamento já montados não liberavam um bom ângulo para o fotógrafo.

No meio dos curiosos encostou um motoboy e disse: “Vixe, hoje tá feio. Acabei de passar na Ponte dos Remédios e mataram um policial lá também”. Confiante de que a informação era real, entrou no carro do jornal, que zuncou até a ponte onde seriam feitas as primeiras imagens dos ataques contra a polícia.

No meio da via escura, tudo tinha marcas de bala. O único lampejo de vida no local era um policial sozinho guardando a cena do crime. Tudo era muito recente. “Eu fiz as fotos com a ajuda de uma lanterna. Três minutos fotografando e começou a chegar um monte de policial. Eles só olharam pra mim e já foi o suficiente para eu sair de lá”, descreve Porto, quando perguntado sobre as fotos que foram parar na capa da Folha de S.Paulo em 13 de maio de 2006.

André Porto, que nesse momento já andava pelas ruas sem os logos característicos de carro de jornal, relembra: “Percebemos que a coisa era feia, que estavam matando todo mundo e tiramos os logos do carro”. E assim ele continuava sua caça aos fantasmas do PCC. Às vezes, a dica era só um coquetel molotov na delegacia e ele ia atrás. A informação inicial o levava para outras – madrugadas e madrugadas foram varadas. “Em um certo momento a polícia parou de ser atacada e começou a ter muita morte na periferia. Era muito difícil chegar nessas informações. A polícia ficou mais calada.”

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ATAQUES PCC – BRADESCO JOAO CLIMACO SAO PAULO, SP – MAIO, 15: Agencia do Banco Bradesco na rua Joao Climaco, foi atacada por bandidos durante a noite. Obs: essa agencia foi atacada junto com uma da CEF que fica ao lado(em outra foto mostra as duas). Madrugada de 15 de maio de 2006. COTIDIANO. (Foto: Andre Porto/ Folha Imagem)

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ATAQUES PCC – 23 DE MAIO VAZIA SAO PAULO, SP: A cidade de Sao Paulo ficou vazia durante essa madrugada devido aos ataques do PCC. Os comercios estavam fechados e o trafego de automoveis era quase zero. Foto da avenida 23 de maio realizada as 3:30 am, do viaduto Tutoia. Em 16 de maio de 2006. COTIDIANO. (Foto: Andre Porto/ Folha Imagem)

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MADRUGADA NA CIDADE SAO PAULO, SP – MAIO, 19: Com o fim dos ataques do PCC a cidade fica mais tranquila. Porem ainda com ruas quase desertas. Viatura da policia passa ao lado de grafite, na rua Gomes de Carvalho, Vila Olimpia. Em 19 de maio de 2006. COTIDIANO. (Foto: Andre Porto/ Folha Imagem)

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ATAQUES PCC – MOSTEIRO SAO BENTO SAO PAULO, SP – MAIO, SP: PMs de prontidao aos ataques do PCC pela cidade, em frente ao Mosteiro Sao Bento. Detalhe de cartaz com propaganda da paz colado na porta da Base Comunitaria movel. Madrugada de 15 de maio de 2006. COTIDIANO. (Foto: Andre Porto/ Folha Imagem)

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CLIMA NA CIDADE DE SAO PAULO COM ONDA DE ATAQUES DO PCC SAO PAULO, SP – MAIO, 17: Clima na madrugada de Sao Paulo com diminuicao da onda de ataques criminosos. Durante a madrugada no centro da cidade estava tranquila e com as ruas quase desertas. So haviam praticamente policiais e garis. Os policiais estavam mais calmos. Foto de policiais da Forca Tatica na viatura patrulhando a Rua Augusta . Em 17 de maio de 2006. COTIDIANO. (Foto: Andre Porto/ Folha Imagem)

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POLICIAL ASSASSINADO NA VIATURA SAO PAULO, SP – MAIO, 13: Um policial militar foi assassinado durante um ataque a sua viatura na Ponte dos Remedios, nessa noite. Acredita-se que essa onda de crimes foram motivados apos a chegada de diversos lideres do PCC(Primeiro Comando da Capital) a capital. Eles foram levados ao predio do Deic (Departamento de Investigacoes sobre o Crime Organizado), da Policia Civil. Em 13 de maio de 2006. COTIDIANO. (Foto: Andre Porto/ Folha Imagem)

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POLICIAL ASSASSINADO NA VIATURA SAO PAULO, SP – MAIO, 13: Um policial militar foi assassinado durante um ataque a sua viatura na Ponte dos Remedios, nessa noite. Acredita-se que essa onda de crimes foram motivados apos a chegada de diversos lideres do PCC(Primeiro Comando da Capital) a capital. Eles foram levados ao predio do Deic (Departamento de Investigacoes sobre o Crime Organizado), da Policia Civil. Em 13 de maio de 2006. COTIDIANO. (Foto: Andre Porto/ Folha Imagem)

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ATAQUE AO 74DP SAO PAULO, SP – MAIO, 13: Bandidos atiraram no 74 DP, Parada de Taipas, nessa noite. Acredita-se que essa onda de crimes foram motivados apos a chegada de diversos lideres do PCC(Primeiro Comando da Capital) a capital. Eles foram levados ao predio do Deic (Departamento de Investigacoes sobre o Crime Organizado), da Policia Civil. Em 13 de maio de 2006. COTIDIANO. (Foto: Andre Porto/ Folha Imagem)

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ATAQUES PCC – COQUETEL MOLOTOV SAO PAULO, SP – MAIO, 17: Foi preso o presidiario Alexandre dos Santos Pereira, 27, que estava que estava com o beneficio de indulto de dia das maes, portando dois coqueteis molotov. Ele disse a policia que era do PCC. Local: 27 DP. Em 17 de maio de 2006. Nessa foto: Os dois coqueteis(nao foi permitido tirar foto do preso). (Foto: Andre Porto)

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Formado em Arquitetura, André Porto, 43 anos, atua como fotojornalista desde 1998. Nascido em São José dos Campos (SP), trabalhou para diversos veículos de comunicação em São Paulo como os jornais Agora São Paulo e Folha de S. Paulo e as revistas IstoÉ, Rolling Stone e Bravo!. Com experiência em hard news, cobriu muitos dos fatos mais relevantes na área de Segurança Pública nos últimos anos na capital paulista, como a desativação do Carandiru e os ataques do PCC. Em 2003, venceu o Prêmio Folha de Jornalismo e recebeu Menção Honrosa no Vladimir Herzog de Direitos Humanos. Atualmente, é fotógrafo do jornal Metro, em São Paulo, e colaborador da Ponte.org e da São Paulo Companhia de Dança.

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Gustavo Dragunskis “Todo Amor que Houver nessa Vida”.

Sobre o Projeto

Todo amor que houver nesta vida!
O ser humano é movido por emoções. Algumas são prazerosas e gostamos de sentir, outras são desagradáveis e quando aparecem queremos nos livrar delas. Mas todas são extremamente importantes e possuem uma função adaptativa. Sem elas não estaríamos aqui.
Fotografar pessoas é fotografar emoções. É conseguir se conectar com o que elas trazem dentro de si. É encontrar os laços que as unem aos outros, ao mundo, aos seus sonhos e as suas batalhas.
Esse projeto fotográfico nasceu de um encontro assim. O encontro do amor pela fotografia com o amor pelas pessoas e suas histórias.
A principal função do amor é unir, juntar, criar vínculos. Não importa a roupagem do amor, seja compaixão, altruísmo, amor fraterno, amor romântico, amor de amigo.
Nesse projeto quero fotografar o amor e revelar pessoas que não medem esforços nas suas batalhas e escolhas de vida. São pessoas que vivem verdadeiramente o amor e são felizes assim.
Acredito que a felicidade está em todo lugar e em qualquer modo de vida e que ela só acontece quando é compartilhada.
Cada personagem desse projeto tem a sua história de amor. Amores diferentes, surpreendentes, inesperados e legítimos.
O que essas pessoas têm em comum?
Escolherem viver TODO AMOR QUE HOUVER NESTA VIDA.

Sobre o Ensaio

Jussara é filha do Sr Augusto, é professora. Sr Augusto consertava panelas. Certo dia Jussara percebeu que o pai estava diferente… Foi diagnosticado com Alzheimer. Jussara largou tudo para cuidar do pai. E desde então é assim : cuida do pai com todo amor que há nessa vida….

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Jussara

“Quando Jesus disse “Amai o próximo como a si mesmo”, ele nos ensinou simplesmente que devemos ser como o bom samaritano: preocupar, proteger, cuidar de alguém.
Este é o meu pai! Agora uma “criança grande”, uma “criança sábia”, de olhar perdido, mas sem perder a delicadeza, a sensibilidade, a serenidade, a educação…
Meu pai está mais dependente, precisando de cuidados, mas na realidade, sem saber, é ele quem cuida de mim. Porque mesmo sem se lembrar, continua me ensinando que a vida é troca de experiências, que a paciência e a tolerância são virtudes inesquecíveis, que o amor é tudo, e que o hoje se transforma no ontem em segundos. Porque a vida é assim…
Ontem eu era filha, hoje sou “mãe” de meu pai.”

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Gustavo Dragunskis

Nascido em Belo Horizonte em 26/10/78. 36 Anos.
Comecei interesse por fotografia quando trabalhei em um laboratório. Eu tinha 19 anos de idade.
O médico responsável tinha uma Nikon e fotografava com muita beleza os órgãos humanos. Aquilo me fascinava!
Comprei uma Nikon em uma viagem ao Peru e comecei a fotografar. Naquela época usava-se filmes e o peruano de nome Hipólito que vendeu a câmera me ajudou bastante a entender o funcionamento e melhor hora para fotografar.
Naquela fascinação por imagens tentei me aventurar em fazer filmes amadores e filmar casamentos. Não deu certo! Gosto mesmo é de fotografar.
Desde então tenho fotografado eventos e ensaios. E após fazer um workshop com Rafael Benevides tive um insight quando pensativo e deitado no sofá. Decidi fotografar o que as pessoas fazem tudo por amor. Por amor à profissão, ao próximo, ao mundo! Daí nasceu o projeto Todo Amor Que Houver Nesta Vida.

[pasta sem título] – por André Fossati

A exposição é composta por 20 fotos impressas e outras 30 em vídeo, feitas exclusivamente em celular e publicadas no Instagram, aplicativo de compartilhamento de imagens usado em smartphones do mundo todo.
As fotos foram ampliadas em papel FineArt Hahnemuhle Monet Canvas, que dá uma sensação de pintura curiosa, provocando, de forma sutil, os extremos do analógico e do digital que agora se impõe no contexto fotográfico.

Hoje quem tem um celular com câmera pode fotografar “tudo” que vê! Assim, a quantidade de imagens criadas diariamente é provavelmente incalculável, e na maioria, sem preocupação com questões técnicas, exigindo da câmera todo o “trabalho”.

Essa nova forma de captura de imagem, sua facilidade de manuseio e acessibilidade, (re)constroem o mundo do registro estático acentuando a “fotografia do erro e acerto” (clica, olha, não gostou, faz de novo).

As exceções, claro, também existem.

[pasta sem título] tem a pretensão de ser uma delas e expor a beleza que esses registros podem ter quando há cuidado técnico e preocupação estética no uso da tecnologia automatizada. Atreve-se assim, a questionar o potencial dessas novas mídias.

Vale ressaltar que há nesse processo desenfreado de se fotografar tudo, uma documentação do cotidiano, que mesmo sem a preocupação técnica, pode ser valioso documento antropológico e a histórico por exemplo. Mas aí já seria outro debate.

Sejam bem-vindos!

Exposicao fotografica  [pasta sem titulo] de Andre Fossati. Casa Una. Belo Horizonte MG Junho de 2014. Foto: Andre Fossati

Exposicao fotografica  [pasta sem titulo] de Andre Fossati. Casa Una. Belo Horizonte MG Junho de 2014. Foto: Andre Fossati

Exposicao fotografica  [pasta sem titulo] de Andre Fossati. Casa Una. Belo Horizonte MG Junho de 2014. Foto: Andre Fossati

Exposicao fotografica  [pasta sem titulo] de Andre Fossati. Casa Una. Belo Horizonte MG Junho de 2014. Foto: Andre Fossati

Exposicao fotografica  [pasta sem titulo] de Andre Fossati. Casa Una. Belo Horizonte MG Junho de 2014. Foto: Andre Fossati

Exposicao fotografica  [pasta sem titulo] de Andre Fossati. Casa Una. Belo Horizonte MG Junho de 2014. Foto: Andre Fossati

Exposicao fotografica  [pasta sem titulo] de Andre Fossati. Casa Una. Belo Horizonte MG Junho de 2014. Foto: Andre Fossati

Exposicao fotografica  [pasta sem titulo] de Andre Fossati. Casa Una. Belo Horizonte MG Junho de 2014. Foto: Andre Fossati

Exposicao fotografica  [pasta sem titulo] de Andre Fossati. Casa Una. Belo Horizonte MG Junho de 2014. Foto: Andre Fossati

Exposicao fotografica  [pasta sem titulo] de Andre Fossati. Casa Una. Belo Horizonte MG Junho de 2014. Foto: Andre Fossati

Exposicao fotografica  [pasta sem titulo] de Andre Fossati. Casa Una. Belo Horizonte MG Junho de 2014. Foto: Andre Fossati

Exposicao fotografica  [pasta sem titulo] de Andre Fossati. Casa Una. Belo Horizonte MG Junho de 2014. Foto: Andre Fossati

Exposicao fotografica  [pasta sem titulo] de Andre Fossati. Casa Una. Belo Horizonte MG Junho de 2014. Foto: Andre Fossati

Exposicao fotografica  [pasta sem titulo] de Andre Fossati. Casa Una. Belo Horizonte MG Junho de 2014. Foto: Andre Fossati

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Exposicao fotografica  [pasta sem titulo] de Andre Fossati. Casa Una. Belo Horizonte MG Junho de 2014. Foto: Andre Fossati

Exposicao fotografica  [pasta sem titulo] de Andre Fossati. Casa Una. Belo Horizonte MG Junho de 2014. Foto: Andre Fossati

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Exposicao fotografica  [pasta sem titulo] de Andre Fossati. Casa Una. Belo Horizonte MG Junho de 2014. Foto: Andre Fossati

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Exposicao fotografica  [pasta sem titulo] de Andre Fossati. Casa Una. Belo Horizonte MG Junho de 2014. Foto: Andre Fossati

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Exposicao fotografica  [pasta sem titulo] de Andre Fossati. Casa Una. Belo Horizonte MG Junho de 2014. Foto: Andre Fossati

Comecei a trabalhar no rádio aos 16 anos e por consequência estudei jornalismo. Depois de 12 anos nos microfones de várias rádios, me desencantei.
Já formado, fiquei sem saber o que “fazer” com o curso que fiz e parti pra fotografia por impulso e desespero; foi minha pior nota na faculdade…
E nessa picaretagem já se passaram 15 anos onde fiz de tudo no fotojornalismo. De “paparazzi” a matérias investigativas, de cobertura de casamentos a grandes festivais internacionais, de folhetins de bairro aos maiores jornais do Brasil, de catálogos de empresas a revistas internacionais, de mostras de cinema pelo rio a expedições a pé, e por aí foi e continua indo!
Hoje o “desencanto” me ronda novamente. Mas ainda persisto e persevero incentivado e encorajado por amigos e familiares, mas provavelmente o que não me deixa abandonar a foto, é o vicioso impeto irresistível de captar luzes enquanto “coisas”acontecem.

https://youtu.be/JKIStHK9hPU

Daniel Moreira – Catadores

O homem que anda, o cavalo que puxa.
O homem que puxa, o cavalo que trota.
O carrinho que roda, a rota do homem.
O homem passante, catador e transformador de restos da paisagem urbana é, ao mesmo tempo, a própria paisagem, misturado, coletivo e abstraído.
Convertendo o ato de catar em ofício, este homem inaugura a capacidade de promover o objeto encontrado, de parte esquecida a achado único.
O comum e sem significado faz-se novo e necessário para a sobrevivência do catador e de seu trabalho. Também assim acontece com do fotógrafo e seus signos.
A figura do catador, tratada nesta série como metáfora do homem que busca, se apropria e processa seus achados para significar seu próprio ato e ofício,
abandona parcialmente seu apelo social para doar-se ao estético.
A imagem não ilustra estas relações. Ela faz sentir. As fotografias do projeto Catadores, articulam e tecem o fio tênue que divide as fronteiras entre homem e bicho.
Pode-se dizer que as imagens estão “expostas”, não porque são artefatos artísticos, mas por que estão à flor da pele. Um tom romântico obscuro contamina suas imagens, costurando a sua poética.
Homem-motor, homem-tração, homem-animal.

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Daniel Moreira vive e trabalha em Belo Horizonte.

Graduado em Comunicação, vem participando de exposições e dedicando o seu trabalho à exploração dos sentimentos e condições humanas.

Em suas obras destaca-se um olhar que humaniza o mundo em suas relações diversas com o imaginário, o ser humano e o consumo.

Foi contemplado com o XIV Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia. Também foi selecionado para o 5 º Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia. Além de ser finalista do Prêmio de Arte Conrado Wessel de

Atualmente está expondo  a série Paisagem Ambulante 381 no Centro de Arte Contemporânea e Fotografia (Av. Afonso Pena, 737).

http://www.paisagemambulante381.art.br

“Matadouro”- Tiago Silva.

“Matadouro”

Em Goianinha, a 58 km de Natal, Rio Grande do Norte, existe um local de trabalho que homens respiram morte. Facas, serras e marretas são seus instrumentos de trabalho. Vida nesse lugar, só daqueles que carregam peixeiras em suas cinturas. Neste caso, a violência é cometida contra animais que vão servir às mesas da região. Estamos em um matadouro. A forma arcaica de abater chega parecer brutal aos olhos daqueles que não convivem por ali, mas é desta maneira que muitos desses animais morrem pelo interior do Brasil. Nas grandes cidades, um matadouro como esse talvez seria fechado e classificado como ilegal. Mas esse não. Logo na porta de entrada existe uma placa identificando: Matadouro Municipal da Cidade de Goianinha. O caminho não é fácil. Os bois são transportados em caminhões da fazenda de origem até o matadouro. Chegando ao local, são colocados em um lugar semelhante a um labirinto, e a reta final para o animal é estressante. Muitos não entram no corredor que os levam direto para a morte, onde então recebem cutucadas e porradas com madeiras para seguir em frente. Preso em um minúsculo espaço, ganham a marretada final. Após o golpe, os corpos são arrastados e colocados para sangrar. Em menos de meia hora o boi é cortado e dividido em partes. Em apenas um sábado são abatidos mais de 50 animais. A carne é comercializada nas feiras livres e açougues da região. Em um ambiente que muitos diriam impróprio para menores, há duas crianças de aproximadamente 11 a 12 anos que reproduzem exatamente o que os adultos fazem. A habilidade com a faca é tamanha que desmontam o boi no mesmo tempo que os outros que trabalham no local, mostrando que provavelmente essa será sua profissão no futuro bem próximo. Em um país do tamanho do Brasil, histórias como essa deixam claro que fora das zonas consideradas urbanizadas da região sul ainda se reproduz muitos hábitos arcaicos. Existem culturas diferentes, modos de vida que chocam aqueles que são de fora, como este fotógrafo que exibe aqui um pouco do seu olhar.

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Biografia

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Jornalista e repórter fotográfico, formado pela Universidade Metodista de São Paulo. Trabalhou dez anos no jornal Diário do Grande ABC, onde começou no mesmo como office-boy. Aprendeu a fotografar observando e perguntando para os demais repórteres fotográficos que trabalhavam na época.

Nesses anos trabalhados, já cobriu acontecimentos importantes. Como caso Eloá, acidente aéreo, eleições presidenciais, corridas, desfiles de moda e entre outros.

Com quatros exposições coletiva pela ARFOC-SP, nos anos 2009, 2010, 2011 e 2012, também expos trabalhos individualmente. Os ensaios “Caras e Caretas”, “Impressões Cruas”, que mostra a rotina de um matadouro artesanal no Rio Grande Norte e “Foco Instantâneo”. Este  trabalho está exposto em espaço permanente na Casa do Olhar, em Santo André.

Atualmente trabalho Metro Jornal, na praça da região do ABC Paulista. Mas também tive passagem no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, acompanhado o governador  Geraldo Alckmin e como freelancer no jornal O Estado de S. Paulo.












Marcelo Prates- “Morte e Vida – San Pedro de Atacama”.

San Pedro de Atacama é um povoado oásis rodeado por belezas naturais, entre as quais se incluem a Cordilheira dos Andes, vulcões, imensos salares, planaltos com altitude elevada e cavernas cobertas de sal. A história de San Pedro começa com civilizações que chegaram há 10 mil anos, e seus povos, tradições e cultura atual descendem dos Incas, Aymaras e Atacamenhos.

Este ensaio realizado em agosto de 2014 retrata a homenagem que os moradores do povoado prestam aos entes que já morrreram. Uma homenagem repleta de flores e muitas cores, tradição dos povos andinos.

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NO CEMITERIO DE SAN PEDRO DO ATACAMA OS  MORTOS SAO HOMENAGEADOS COM FLORES

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Marcelo Prates nasceu em Belo Horizonte em 28 de fevereiro de 1955. É formado em Comunicação Social pela UFMG. Autodidata, começou na fotografia trabalhando na Associação Comercial de Minas Gerais, em 1981. Em 1983, cobriu a posse do governador Tancredo Neves para a Folha de S. Paulo. Nesse mesmo ano, foi contratado pelo jornal O Globo (sucursal de Belo Horizonte), onde trabalhou durante 10 anos. Fez vários trabalhos como free-lancer para os jornais Estado de Minas, O Estado de São Paulo, Jornal do Brasil, Correio Braziliense, para as revistas Veja, Manchete e Isto É, além de publicações estrangeiras como o jornal Libération (França), o jornal Corriere Della Sera (Itália), a agência France Press, dentre outros. É atualmente editor de fotografia do jornal Hoje em Dia, na capital mineira.

Prêmios

Vladimir Herzog – Anistia e Direitos Humanos – 1985
Internacional Nikon – Aquisição de Obra – Japão – 1987
Comenda do Mérito Ambiental – OAB/MG, 1997;
Fotografia Contemporânea da América Latina – Cuba – 2001
Nacional “Brasil Verão” – 2002;
SSF World Photo Contest – Japão – 2002;
National Geographic – “Momentos Incríveis” – 2003
BNB de Jornalismo – 2005
Nacional de Fotografia Goethe-Institut – 2007
Internacional Fotografia 100 anos Niemeyer –
Obras selecionadas – Portugal – 2008

Exposições

Crianças – Grande Galeria Palácio das Artes – 1979
Auto-Retrato do Brasileiro – Fundação Bienal de São Paulo -1989
Cinema e Verdade – Galeria Genesco Murta, Palácio das Artes
Dez Anos de Diretas Já – Galeria Zoltan Glueckec- 1994
Liberdade para Voar e Viver – BDMG Cultural – 1977
Fotografia Contemporânea da América Latina – Havana – 2002
Kinder der Welt – Speyr – Alemanha – 2001
Museu Metropolitan de Tóquio – 2002
Goethe-Institut – “A Rapadura e o Fusca: cana, sociedade, ambiente” –
Salvador – 2007
Bienal de Artes do Triângulo – Uberlândia – 2007
Exposição Resumo Hoje – Museu Inimá de Paula -2008/2009

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Bruno Gonzalez- “Da Guerra do Dia a Dia”.

 A cobertura policial sempre me fascinou no fotojornalismo. É uma rotina que exige do fotógrafo uma dose diária de coragem.

Quando convidei o Bruno para nos mostrar seu trabalho no Blog, não sabia que ia reencontrar com o bom e velho fotojornalismo de conflito. Sim conflito, pois nas suas imagens está estampado o retrato da guerra silenciosa em  que vivemos. Dentre muitos tantos excelentes trabalhos do Bruno Gonzalez ele nos brindou com esse que é típico dos bons Fotojornalistas que estão atentos a tudo no olho do furacão.

Bruno Gonzalez trabalhou por 7 anos cobrindo os conflitos da guerra do tráfico de drogas nas favelas e áreas dominadas pelo tráfico no Rio de Janeiro. Passou pelo jornal o Povo do Rio e pelo jornal Extra. Atualmente se dedica a trabalhos autorais.

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Hoje é dia morrer

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Bruno Gonzalez participou de várias exposições coletivas dentre as quais:

Exposição Coletiva no Projeto Warld Cup
2014 – Praça Saens Peña, Rio de Janeiro
2014 – MAR (Museu de Arte do Rio), Rio de Janeiro
2014 – Parque das Ruínas, Rio de Janeiro 
2014 – Museu da Maré, Rio de Janeiro 
2014 – Hotel da Loucura, do Ocupa Nise, Hospital Psiquiátrico Nise da Silveira, Rio de Janeiro.
2014 – Santa Teresa de Portas Abertas, Rio de Janeiro 
2014 – Performa-ti-Cidades no Instituto das Artes da Universidade Estadual do Rio de Janeiro 
2015 – Centro Cultural de la Cooperación, Buenos Aires.

Quem quiser conhecer um pouco mais do trabalho do fotógrafo Bruno Gonzalez é só conferir no site

www.brunogonzalez.com.br