Elcio Paraíso- “Para Ouvir com os Olhos”.

Sempre tive uma ligação forte com a arte, especialmente com a música. Quando eu era criança e vivia na minha cidade natal, São João del-Rei (MG), ganhei uma câmera e um violão. Com aquela pequena câmera, que não lembro o modelo, ia para escola “fazendo” fotos, claro que sem filme, coisa cara para a época. Clicava rolos e rolos imaginários. Foi o primeiro contato com a fotografia, que foi se desenvolver mais tarde.

Com o violão, a história não teve um final muito feliz. Aos 9 anos, comecei a ter aulas e, como muitas crianças, queria ser músico. Aos 14, desisti de vez quando descobri que era absolutamente surdo para a teoria musical. Ainda assim, a música sempre foi uma coisa muito forte para mim. Não foi coincidência que, como fotógrafo, eu tenha caminhado naturalmente para a área da cultura. Espetáculos e shows compõem grande parte do meu trabalho na Bendita – Conteúdo & Imagem, agência da qual sou sócio desde 2005. Mesmo antes, quando trabalhava em jornais diários e não podia tanto escolher as pautas que faria, acabava recorrentemente na cobertura de espetáculos.

Para esta apresentação, escolhi uma retrospectiva de fotos feitas para a Bendita em 2014 na área cultural: shows, teatro e dança. Achei que seria bacana mostrar um pouco do meu dia-a-dia profissional, que, por sorte, é tão prazeroso e cheio de liberdade quanto os ensaios – em especial os de cultura popular, religiosidade e vida urbana – que realizo para projetos pessoais.

SHOW ERIKA MACHADO

1º DIA DO II FESTIVAL INTERNACIONAL DE ACORDEOM

PAU BRASIL NO BH INSTRUMENTAL

ABERTURA COM RENATO SAVASSI

ÓPERA RIGOLETTO NO GRANDE TEATRO DO PALÁCIO DAS ARTES

Em 2010, realizei uma exposição que tinha justamente o intuito de juntar essas duas paixões, de mostrar o quanto elas andam juntas, mesmo que de formas diferentes: a fotografia, paixão real, e a música, uma paixão meio que frustrada. Chamei esse conjunto de imagens de “Para Ouvir com os Olhos”, que é a definição mais representativa do encontro dessas duas expressões em mim. Ao fotografar um show, a relação é sinestésica, tento trazer para cada imagem aquilo que estou ouvindo. Tento servir de filtro para a música e para o que o artista quer dizer com ela, imprimir na fotografia o som daquele momento por meio de movimento, luz e expressão. O que me encanta é tentar encontrar a nota certa em cada clique. O mesmo acontece em outros tipos de espetáculo – a fotografia para mim passa fundamentalmente pelo sentir. Sentir a cena, sentir o movimento…

INSTITUTO UNIMED BH - FESTIVAL TEATRO DE BONECOS

PABLO PASSINI

SÉRIE BH INSTRUMENTAL APRESENTA RAUL DE SOUZA

SÉRIE BH INSTRUMENTAL APRESENTA RAUL DE SOUZA

LANÇAMENTO DVD CELSO MOREIRA

INAUGURAÇÃO DO TEATRO FRANCISCO NUNES

INAUGURAÇÃO DO TEATRO FRANCISCO NUNES

2º DIA DO II FESTIVAL INTERNACIONA DE ACORDEOM

TEATRO ACESSÍVEL DA LAVORO PRODUÇÕES

NATURA MUSICAL BH - NEY MATOGROSSO

ESPETÁCULO THÁCHT DO ARMATRUX

ESPETÁCULO THÁCHT DO ARMATRUX

BH INSTSRUMENTAL APRESENTA WAGNER TISO E SOM IMAGINÁRIO

INSTITUTO UNIMED BH APRESENTA PALAVRA DE MULHER

DORI CAYMMI LANÇA CD 70

GIGANTES DA MONTANHA DO GRUPO GALPÃO

BANDA MIRIM APRESENTA O MENINO TERESA

BELLE DA CIA DE DANÇA DEBORAH COLKER

INSTITUTO UNIMED BH APRESENTA PALAVRA DE MULHER

BELLE DA CIA DE DANÇA DEBORAH COLKER

Élcio Paraíso é natural de São João del-Rei (MG), graduado em Comunicação Social, se especializou em fotojornalismo, vive em Belo Horizonte e, por dez anos, trabalhou como repórter fotográfico na imprensa mineira, cobrindo episódios importantes da cena local e nacional. Participou de exposições individuais e coletivas, com destaque para a série “Fantasias de Fidel”, que passou por três locais em Belo Horizonte, e “Pula Fogueira”, exibida na Unicamp (SP). É sócio da Bendita – Conteúdo & Imagem (www.bendita.net), agência de comunicação voltada para o jornalismo documental e cultural. Ao longo de sua trajetória como fotógrafo, tem realizado uma pesquisa visual ininterrupta sobre cultura popular, religiosidade e transformação do espaço urbano, temas estes que já foram contemplados em algumas exposições

PRINCIPAIS EXPOSIÇÕES

Panorama da Fotografia Mineira Contemporânea (coletiva) | Festival de Fotografia de Tiradentes com remontagem no Museu Mineiro, Belo Horizonte (2014)

Fotografia de Rua (coletiva) | Festival de Fotografia de Tiradentes com remontagem no Espaço Oi Futuro, Belo Horizonte (2014)

Save the Children (coletiva) | México (2013)

Dia de Reis (individual) | Belo Horizonte, 2012

Cemitério de Automóveis (individual) | Belo Horizonte, 2011

Para Ouvir com os Olhos | Universidade Federal de São João del-Rei, 2010

Pula Fogueira (individual) | Unicamp – Campinas (SP), 2007

Metrôfotogaleria – Comemoração aos 20 anos do Metrô-BH (coletiva) | Belo Horizonte, 2006/2007

Mineirão de Todos os Tempos (coletiva) | Belo Horizonte, 2006

Fantasias de Fidel (individual) | Belo Horizonte, 2004 e 2007

Fetiches de Minas (individual) | Cristiano Otoni (MG), 2000

50 Anos Arfoc-MG (coletiva) | Belo Horizonte, 1997

Quem quiser ver mais do trabalho de Elcio Paraíso é só acessar o site

Para ouvir com os olhos – vídeo apresentado na exposição:

Daniel Sasso- “Ideia Morta – a frustração em devaneios coloridos.”

Daniel Sasso:

Interessado pelo universo das objetivas e sempre curioso em estudar e explorar as mais diversas técnicas fotográficas, Daniel Sasso mistura o tradicional e o inovador, a experiência e o experimentalismo. Parte do princípio de que o conhecimento técnico deve ser o foco no desenvolvimento do trabalho profissional para atingir a qualidade desejada. Em seus trabalhos artísticos, explora possibilidades e improvisações na criação de imagens. Dois lados que se completam.

Transformar a frustração em matéria-prima para a criação: esse é o mote do projeto fotográfico Ideia Morta  a frustração em devaneios coloridos. A mostra, simboliza de forma bem humorada a “morte” de ideias que surgiram mas não se concretizaram pelos mais diversos motivos. Quem assina a autoria das imagens é o fotógrafo Daniel Sasso em parceria com a Zungu – Produtores de Ideias. O olhar das “cenas de óbito” é leve e divertido, demonstrando que desgraça e oportunidade podem estar tão somente nos olhos de quem as vê.

Morte-de-uma-Ideia-Anacronica

Morte-de-uma-Ideia-Cool

Morte-de-uma-Ideia-Descartavel

Morte-de-uma-Ideia-Disléxica

Morte-de-uma-Ideia-Dormente

Morte-de-uma-Ideia-Envaidecida

Morte-de-uma-Ideia-Esteril

Morte-de-uma-Ideia-Flexível

Morte-de-uma-Ideia-Histrionica

Morte-de-uma-Ideia-Infantil

Morte-de-uma-Ideia-Louca

Morte-de-uma-Ideia-Lutadora

Morte-de-uma-Ideia-Meretriz

Morte-de-uma-Ideia-Romantica

Morte-de-uma-Ideia-Salgada

Morte-de-uma-Ideia-Sedenta

Morte-de-uma-Ideia-Suspeita

Morte-de-uma-Ideia-Vertiginosa

Morte-de-uma-Ideia-Viciada

Morte-de-uma-Ideia-Viuva

Experiência:

Atuou como assistente de fotógrafia de outubro de 1998 até Fevereiro de 2004. Esse período foi importante para adquirir conhecimento e formar seu perfil profissional em diversas áreas da fotografia.

A partir daí, trabalhou como fotógrafo elaborando seu próprios projetos. Atualmente é proprietário de um estúdio fotográfico em Porto Alegre, atuando em diversas frentes de trabalho.

Formação:

Graduação em Comunicação

Social – Publicidade e Propaganda

Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – Julho de 2005

Especialização em Fotografia Digital

Escola Superior de Propaganda e Markting – ESPM – Novembro de 2011

Atividades:

Trabalhou para empresas como Gang, Marisol, Goldsztein, Rossi Rottaely e Trópico, sendo que esta última rendeu prêmios ao fotógrafo no Salão da Propaganda de 2005. Assina trabalhos para o concurso Garota Verão e Planeta Atlântida do Grupo RBS, campanhas do Grupo FIERGS/SENAI, Ministério do Trabalho, SINDUSCON-RS, IBEASA, John Deere, entre outros. Realizou editorais de moda para o jornal Zero Hora e para a revista Novitá, também fotografou para a revista Type, contribuiu com a Revista Bravo e é responsável por alguns dos editoriais de moda da Revista Eléve. Entre suas atividades, também participa de campanhas beneficentes, realizando trabalhos para o Instituto do Câncer Infantil e para o Instituto da Criança com Diabetes. Trabalha ainda com projetos criativos e seu mais recente trabalho deu origem a uma exposição individual no Museu do Trabalho em Porto Alegre intitulada Ideia Morta – a frustração em delírios cintilantes.

 Facebook da Zungu,

https://www.facebook.com/ZunguProdutoresdeIdeias?fref=ts

Meu site:

http://www.danielsasso.com.br

Fan page:

https://www.facebook.com/danielsassofotografia

Samuel Costa- “Sem Nome”.

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sem nome

A rua é a casa. A escadaria, o sofá. O latão de margarina, o panelão.
O ensopado de suan de porco, o prato principal. A vaquinha pra comprar o rango,
é a banca. O grupo formado nas ruas, a família. O combustível, cachaça.

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No primeiro encontro, o estranhamento. Magrão, desconfiado, disse:
Sai vazado! O fotógrafo, teimoso, não acatou. Insistiu, fez um presente.
Com uma câmera de filme, capturou os primeiros registros do grupo que se encontra, dorme,
cozinha, mora e confraterniza na escadaria do prédio Sulacap, com vista para o viaduto de Santa Tereza, no Centro de BH.

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O ano era 2014. As primeiras 11 fotos foram ampliadas e entregues a cada um deles. Daí nasceu a confiança, e a brodagem.
Eles, fraternos, dividiram a comida. Umas dez vezes

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Nas fotos, o cotidiano. A luz retida, ampliada, escondida, paralisada.
Os personagens continuam em movimento.
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Existe amor em BH.
Fotos Samuel Costa
Texto Bruno Moreno
Acompanhe o trabalho no site: www.samuelcostafoto.com
Quem quiser visualizar o projeto no youtube, o link é esse.

José Bezerra – “Instantes da Infância”

“Dentro deste trabalho documental procuro inserir arte. Desde a concepção de alguns registros até as que há lugares que o tempo é estático. Quase o mesmo de outrora. Mas ainda assim com sua particularidade temporal.”-  José Bezerra

Natural de Mossoró Rio Grande do Norte, José Bezerra tem 33 anos, 7 deles dedicados a fotografia.

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Sou José Bezerra, tenho 33 anos. Sete deles dedicado a fotografia. Nasci no interior do Rio Grande do Norte, na cidade de Mossoró. Comecei como a maioria dos fotógrafos, registrando paisagens dentro de uma ótica turista. Através do miksang puder desenvolver um olhar contemplativo. Estudei por dois anos a arte do miksang (fotografia contemplativa)  onde posteriormente incorporei a fotografia documental em sua essência.

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Vivenciar experiências reais e tentar figurá-las através da fotografia é o cerne deste trabalho documental. Através destas experiências com minha própria cultura pude conhecer um mundo totalmente novo, onde o que pude ver estava distante do que me foi apresentado. E nestas investidas pelo mundo imagético, desenvolvo alguns temas. Dentre eles há um especial. “Instantes da infância” foi o nome que encontrei para ajuntar registros que de certo nos arremeta a sensações bem específicas, mas que a maior parte de nós sentiu de algum modo e num dado grau.

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Do olhar de criança, as suas fraternidades, os novos códigos e gírias dentro de um mesmo mundo, coletivo, em mudanças. Nestes olhares está os personagens do futuro, o amanhã. Em seus códigos, as novas leis. O que é válido. Este olhar documental é um fragmento de outros pensamentos acerca das análises feitas nestas comunidades.As composições deste ensaio foram alcançadas através de uma conexão com os lugares e pessoas. Tratar o contexto com intimidade permite ao fotógrafo documental expressar-se de maneira mais próxima, sem ser invasivo ou desconfortável. Em alguns cenários usei somente linhas simples com texturas diversificadas, a fim de alcançar simetria e volume à cena



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De repente somos levados a crer que infância é infância, e todos são “a mesma coisa”. Este tipo de pensamento só reforça o fato de que muitos de nós esqueceu a realidade que cerceia os infantes. Tentar observar o mundo através do olhar de uma criança é principalmente voltar a ser uma. Simplificar as análises e rever os conceitos incoerentes é só algumas das vantagens de pensar como criança, aproveitando a experiência da meia idade.

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As composições deste ensaio foram alcançadas através de uma conexão com os lugares e pessoas. Tratar o contexto com intimidade permite ao fotógrafo documental expressar-se de maneira mais próxima, sem ser invasivo ou desconfortável. Em alguns cenários usei somente linhas simples com texturas diversificadas, a fim de alcançar simetria e volume à cena.

Particularmente possuo grande afeição por algumas das fotografias contidas neste ensaio. Importante frisar que em algumas destas atingi picos dramáticos de humor. Um choro discreto, mas inevitável. Seja por reviver a cena que ocorrera comigo ou compreender melhor certas lógicas da mente infantil.


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José Bezzera possui fotos publicadas no site olhares.com quem quiser dar uma olhada no trabalho dele é só passar por lá

http://olhares.sapo.pt/jb_segundo/

Mais uma contribuição aqui no Blog para que possamos olhar um pouco mais fotografia,ver fotografia, conhecer fotógrafos e interagir, valeu José Bezerra pelo trabalho maravilhoso que postou aqui. Sucesso!!!!!

Rodrigo Lima- O Duelo de Mc’s

Ao meu ver a grande recompensa do fotografo não é apenas  ter a oportunidade registrar uma boa imagem, mas sim ter a chance de viver experiências que não fazem parte do seu mundo.

Desta forma, como uma desculpa, um pretexto, pego minha câmera e vou atrás de historias, personagens dos quais eu não faço parte.

Chego como se fosse mais um. Calado, me infiltro e vou desvendando aquele emaranhado desconhecido. Aos poucos, converso com um, outro e quando menos espero, clique! Esta lá  registrada a imagem.

Assim é, dia após dia, foto após foto, historia após história , a incansável tentativa de captar aquele instante o qual jamais se repetirá.

Nas fotos divido um pouco da minha estada ao meio dos grandes guerreiros do Duelo de MC`s.

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Rodrigo Lima é formado em Jornalismo em fotografia pelo SENAC/SP. Seu trabalho está escorado na fotografia documental e no fotojornalismo. Ao longo de 14 anos de carreira acumulou diversos prêmios nacionais e internacionais. Participou de exposições no Brasil, Argentina, Alemanha e Portugal. Seu trabalho foi publicado no livro O Melhor do Fotojornalismo Brasileiro – Editora Europa. É colaborador da Agência Nitro, Banco de imagens Istok da Getty Image e de veículos da grande imprensa como: Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo, Época, Isto É, Pequenas Empresas Grandes Negócios, Exame, Valor Econômico, UOL, dentre outros. Recentemente juntamente com os fotógrafos Pedro Gontijo e Rafael Motta, fundaram Patuá Imagens, aonde emprega toda vasta experiência na documentação fotografia de Casamentos.

Quem quiser ver mais do atual trabalho de Rodrigo Lima é só entrar no site www.patuaimagens.com.br

Valeu Rodrigão pela sua contribuição aqui. Sucesso!!!!!
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Jorge Quintão- Jangurussu/CE

Jangurussu – Fortaleza/CE

Em 2007 tive a oportunidade de viajar a Fortaleza, juntamente com uma equipe de gringos que iriam rodar um comercial para uma ONG internacional atuante no Brasil, responsável por apadrinhamento de crianças.
Já nas primeiras horas na cidade fomos diretamente para uma reunião e em seguida seguimos para uma unidade da ONG próxima ao aterro de Jangurussu, localizada em uma das regiões mais violentas de Fortaleza. O objetivo era o reconhecimento das locações e o encontro com alguns personagens para conhecer as suas histórias. Fui apresentado a algumas famílias e o que mais me chamou a atenção foi a quantidade de crianças que brincavam no lixão próximo aos barracos.
Nos outros 15 dias que se seguiram, com mais tranquilidade após um estranhamento com traficantes da área, retornei ao lixão para fotografar as famílias e sobretudo as crianças. Sob um sol escaldante, que facilmente ultrapassava os 40º C, encontrei alguns personagens como o Sr. Joaquim, que vivia com sua esposa em um barraco construído com objetos retirados do lixo. Tiveram 12 filhos, dos quais 4 deles acabaram morrendo por problemas de saúde, provavelmente devido à falta de condições mínimas de saneamento básico.
Como fotojornalista, sempre me preocupei com a influência do meu ponto de vista em relação aos fatos que eu presenciava. Como o meu olhar poderia  ser isento em uma situação dessas? Me preocupava muito em não produzir imagens muito contundentes, pois se tratava da minha percepção e não a daquelas pessoas que ali viviam. Isso porque a experiência que eu estava tendo era a pior possível, sobretudo por ver aquelas pessoas miseráveis, tirando seu sustento com muita dificuldade. Estranhamente a gente daquele lugar, sobretudo as crianças, não tinham esta percepção. É óbvio que as dificuldades existiam, as mortes por doenças, as situações de violência, a miséria, mas ao mesmo tempo, eu percebia que pelo ponto de vista das crianças, aquele lugar parecia um grande parque de diversões, cheio de possibilidades para brincar. Através da inocência própria da idade, dezenas de olhos extremamente atentos se divertiam e, ao mesmo tempo, ganhavam anos de vida ao ajudarem suas famílias a garimpar o lixo.
Aquilo tudo para mim era totalmente contraditório: o que eu via e como eles se sentiam. Essa dualidade me fazia refletir sobre o meu papel de documentarista. E aí eu me lembrava muito da fala do mestre João Roberto Ripper que, ao retratar famílias em condições de escravidão em uma fazenda de carvão e, apesar de todo o sofrimento daquelas pessoas, ele optou por direcionar as lentes para as relações humanas que ainda existiam, enaltecendo o amor e o carinho, apesar das condições péssimas de sobrevivência e de toda dificuldade. Aquelas pessoas estavam totalmente adaptadas ao lugar e, por mais que houvessem dificuldades, havia um laço que os mantinham unidos.
Tentando entender isso, passei a fotografar a as crianças e as suas brincadeiras. Talvez uma maneira que encontrei para dar conta daquela situação, que para mim era terrível.
Algum tempo depois fiquei sabendo que todas as famílias da região foram realocadas para áreas urbanas e que em 2009 o lixão foi desativado por completo, dando lugar a uma área de preservação natural.
Não tive a oportunidade de retornar a Fortaleza para saber como aquelas pessoas estão, mas ao rever as imagens penso em como está cada criança daquele lugar.
Esta experiência direcionou o meu trabalho que desenvolvo como documentarista e posso dizer que tem influência muito grande na criação do Imaginário Coletivo (www.imaginariocoletivo.org), projeto ao qual desenvolvo e ensino fotografia a jovens em situação de risco social como forma de empoderá-los e melhorar a autoestima.
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Quem quiser ver mais do trabalho do fotógrafo e fotodocumentarista Jorge Quintão pode acessar o site
Fotógrafo autodidata, especializado em fotodocumentarismo
Graduado em Engenharia Industrial Mecânica pelo CEFET/MG
Pos-graduado em Linguagem e Tecnologia (Letras)
Mestre em Estudos de Linguagens (Letras) pelo CEFET/MG
Idealizador, gestor, professor e curador do Imaginário Coletivo (www.imaginariocoletivo.org)
Professor – Produção em Ambientes Digitais – CEFET/MG
Professor – Computação Gráfica – CEFET/MG
Exposições:
2014 –  4º Festival de Fotografia de Tiradentes – Foto em Pauta – Fotografia Mineira Contemporânea – Exposição “Em Desencanto” – Curadoria: João Castilho e Pedro David – Ensaio: des(apego) – Mostra Coletiva
2014 – Exposição Pedro Pedreiro – Tijolo com tijolo num desenho lógico – MUQUIFU Museu dos Quilombos e Favelas Urbanos – 8ª Primavera dos Museus –  Mostra Coletiva  – Belo Horizonte/MG
2014 – Mostra coletiva itinerante do MUQUIFU – Museu dos Quilombos e Favelas Urbanos – “Esperança: a vila que nunca existiu“ e “Muro, o lado de cá” – Palazzo Liviano, em Pádua – Itália
2013 – Exposição I Concurso SESC de Fotografia – Categoria Profissional – Mostra Coletiva – SESC Cultural JK – BH/MG
Prêmios:
2009/2010/2011/2014 – Prêmio Parceiros da Escola Integrada – Categoria Pessoa Física – Prefeitura Municipal de Belo Horizonte
2013 – Prêmio SESC/MG de fotografia – Categoria Profissional  – SESC Minas Gerais
2013 – Prêmio ANU Dourado – CUFA – Central Única das Favelas
2011 – Prêmio Bom Exemplo – Categoria Cidadania – Rede Globo Minas, Jornal O Tempo, Fundação Dom Cabral
Curadoria:
2014 – Exposição Pedro Pedreiro – Tijolo com tijolo num desenho lógico – MUQUIFU – Museu dos Quilombos e Favelas Urbanos – Projeto Imaginário Coletivo
2014 – Exposição Fendas – Projeto Imaginário Coletivo – SESC Venda Nova – Belo Horizonte/MG;
2014 – Exposição Deslocamentos – Projeto Imaginário Coletivo – 1ª Mostra de Arte e Cultura Negra – Secretaria Municipal de Educação – Belo Horizonte/MG
2013 – Exposição Olhares da Serra III – Projeto Olhares em Foco – Aglomerado da Serra – Belo Horizonte/MG
2013 – Exposição Continuum – Projeto Imaginário Coletivo – Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves – Belo Horizonte/MG
2012 – TEDx Belo Horizonte – Projeto Imaginário Coletivo – Espaço 104 – Belo Horizonte/MG
2011 – Projeto Olhar Coletivo – Centro Cultural Salgado Filho – Belo Horizonte/MG

2010 – Projeto Olhar Coletivo – Meu Morro é Assim – Biblioteca Pública Luiz de Bessa – Praça da Liberdade – Belo Horizonte/MG

Auremar de Castro- “Fotografar é perceber, criar e ter propósitos.

Acordei cedo para ir ao dentista. Estava chovendo forte. Estranho; em pleno junho mês que raramente chove, ainda mais num ano de forte estiagem no País. Um dia interessante!
Peguei minha câmera para fazer umas fotos. Vícios do jornalismo.  Eram 7 horas,  fui de carona para o centro com meu filho. Ele me deixou na Praça 7. No local, a chuva estava intensa. Sai do carro e corri para debaixo de uma marquise. Lembrei-me que aquele prédio possuí uma sacada que contorna todo o edifício. Subi a escada e cheguei no  balcão. De  lá, podia avistar totalmente a praça e as ruas laterais. O movimento de pedestres  e veículos era frenético. Era a pressa para chegar ao trabalho. O trânsito estava angustiante e entravado para os circulantes.
Fotógrafos,  geralmente, não gostam de  trabalhar sob chuvas. Não era o meu caso. A  chuva que caia na avenida provocava um  lustre na superfície já limpa do piso. As variadas sombrinhas coloridas e os guarda- chuvas negros, em um plano mais alto, refletiam uma luz densa com um brilho de cor pura e delicada.
 Na dinâmica da paisagem, destacava-se o movimento impaciente das sombrinhas que disputam espaço para atingir – ligeiramente – seus destinos. A câmara captava um enorme tecido estampado com círculos coloridos e negros , que se deslocavam em sentidos variados, confusos e sem se preocupar com  ordens impostas.   Um alvoroço cromático.
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Auremar de Castro– Em 1970, fui visitar o laboratório fotográfico de amigo e vizinho. A luz era vermelha. Numa folha de papel branca ele projeta uma luz e, em seguida, a mergulha numa bandeja com um líquido químico. De repente, começa surgir uma imagem. Fiquei fascinado e pensei eu quero aprender essa mágica. Não tinha grana. Um ex-colega de escola e vizinho me empresta o hobby que seu pai abandonara e ele herdou. Pode levar tudo. Material fotográfico e laboratório completo. Montei tudo numa área de serviço de minha casa,
Um colega de sala me conseguiu um estágio na redação como repórter no Jornal do Brasil. Foi uma picada na minha veia. Deslumbrei com jornalismo.
Do JB fui para VEJA depois para o Placar e a Isto é. Nos intervalos de um emprego para outro trabalhei em outras empresas. Fiz muito free lancer , Folha, Estadão, Globo e mais o que aparecia. Em 1986 criamos a Agência Geraes de Fotografia. Os sócios eram o Cláudio Versiani, Gladstone Campos, Eugênio Sávio, Sérgio Falci e o Auremar de Castro. Em 1989, fui Subeditor do Hoje em dia, em l993 Editor do Estado de Minas e depois fotógrafo especial, Em 2008 me aposentei. Agora só fotografo para mim.
Nunca fiz una exposição individual e não editei livro, apenas participei projetos coletivos. Ganhei alguns prêmios. Paro os fotojornalistas o mais importante é publicar fotos. Fotos na imprensa podem ser apreciadas por milhares de pessoas, aqui, no Brasil e no mundo. São exposições e livros sem fim. Fui um profissional dedicado e tive sorte. Agradeço aos que ajudaram e foram muitos. Adorei minha profissão e rezo para ela não acabar. Tive a oportunidade de conhecer inúmeras pessoas e gosto delas todas. Obrigado.