Daniel Moreira – Catadores

O homem que anda, o cavalo que puxa.
O homem que puxa, o cavalo que trota.
O carrinho que roda, a rota do homem.
O homem passante, catador e transformador de restos da paisagem urbana é, ao mesmo tempo, a própria paisagem, misturado, coletivo e abstraído.
Convertendo o ato de catar em ofício, este homem inaugura a capacidade de promover o objeto encontrado, de parte esquecida a achado único.
O comum e sem significado faz-se novo e necessário para a sobrevivência do catador e de seu trabalho. Também assim acontece com do fotógrafo e seus signos.
A figura do catador, tratada nesta série como metáfora do homem que busca, se apropria e processa seus achados para significar seu próprio ato e ofício,
abandona parcialmente seu apelo social para doar-se ao estético.
A imagem não ilustra estas relações. Ela faz sentir. As fotografias do projeto Catadores, articulam e tecem o fio tênue que divide as fronteiras entre homem e bicho.
Pode-se dizer que as imagens estão “expostas”, não porque são artefatos artísticos, mas por que estão à flor da pele. Um tom romântico obscuro contamina suas imagens, costurando a sua poética.
Homem-motor, homem-tração, homem-animal.

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Daniel Moreira vive e trabalha em Belo Horizonte.

Graduado em Comunicação, vem participando de exposições e dedicando o seu trabalho à exploração dos sentimentos e condições humanas.

Em suas obras destaca-se um olhar que humaniza o mundo em suas relações diversas com o imaginário, o ser humano e o consumo.

Foi contemplado com o XIV Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia. Também foi selecionado para o 5 º Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia. Além de ser finalista do Prêmio de Arte Conrado Wessel de

Atualmente está expondo  a série Paisagem Ambulante 381 no Centro de Arte Contemporânea e Fotografia (Av. Afonso Pena, 737).

http://www.paisagemambulante381.art.br

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“Matadouro”- Tiago Silva.

“Matadouro”

Em Goianinha, a 58 km de Natal, Rio Grande do Norte, existe um local de trabalho que homens respiram morte. Facas, serras e marretas são seus instrumentos de trabalho. Vida nesse lugar, só daqueles que carregam peixeiras em suas cinturas. Neste caso, a violência é cometida contra animais que vão servir às mesas da região. Estamos em um matadouro. A forma arcaica de abater chega parecer brutal aos olhos daqueles que não convivem por ali, mas é desta maneira que muitos desses animais morrem pelo interior do Brasil. Nas grandes cidades, um matadouro como esse talvez seria fechado e classificado como ilegal. Mas esse não. Logo na porta de entrada existe uma placa identificando: Matadouro Municipal da Cidade de Goianinha. O caminho não é fácil. Os bois são transportados em caminhões da fazenda de origem até o matadouro. Chegando ao local, são colocados em um lugar semelhante a um labirinto, e a reta final para o animal é estressante. Muitos não entram no corredor que os levam direto para a morte, onde então recebem cutucadas e porradas com madeiras para seguir em frente. Preso em um minúsculo espaço, ganham a marretada final. Após o golpe, os corpos são arrastados e colocados para sangrar. Em menos de meia hora o boi é cortado e dividido em partes. Em apenas um sábado são abatidos mais de 50 animais. A carne é comercializada nas feiras livres e açougues da região. Em um ambiente que muitos diriam impróprio para menores, há duas crianças de aproximadamente 11 a 12 anos que reproduzem exatamente o que os adultos fazem. A habilidade com a faca é tamanha que desmontam o boi no mesmo tempo que os outros que trabalham no local, mostrando que provavelmente essa será sua profissão no futuro bem próximo. Em um país do tamanho do Brasil, histórias como essa deixam claro que fora das zonas consideradas urbanizadas da região sul ainda se reproduz muitos hábitos arcaicos. Existem culturas diferentes, modos de vida que chocam aqueles que são de fora, como este fotógrafo que exibe aqui um pouco do seu olhar.

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Biografia

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Jornalista e repórter fotográfico, formado pela Universidade Metodista de São Paulo. Trabalhou dez anos no jornal Diário do Grande ABC, onde começou no mesmo como office-boy. Aprendeu a fotografar observando e perguntando para os demais repórteres fotográficos que trabalhavam na época.

Nesses anos trabalhados, já cobriu acontecimentos importantes. Como caso Eloá, acidente aéreo, eleições presidenciais, corridas, desfiles de moda e entre outros.

Com quatros exposições coletiva pela ARFOC-SP, nos anos 2009, 2010, 2011 e 2012, também expos trabalhos individualmente. Os ensaios “Caras e Caretas”, “Impressões Cruas”, que mostra a rotina de um matadouro artesanal no Rio Grande Norte e “Foco Instantâneo”. Este  trabalho está exposto em espaço permanente na Casa do Olhar, em Santo André.

Atualmente trabalho Metro Jornal, na praça da região do ABC Paulista. Mas também tive passagem no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, acompanhado o governador  Geraldo Alckmin e como freelancer no jornal O Estado de S. Paulo.